Finalizando...

Hoje, numa espécie de "acerto de contas", publicamos os últimos textos sobre os temas do Prex e, também, mais algumas matérias que foram feitas por ocasião da Virada Cultural. No caso destes últimos, interessante observar como temos olhares diferentes sobre um mesmo evento.

Boa leitura,

Tânia Trajano

 

Por Alessandra da Conceição

Charge que te quero charge

A ditadura militar no Brasil foi marcante em várias fases, tanto com assuntos negativos quantos positivos.

Mas, o que teve de positivo na época da ditadura militar?

Se lembrarmos, perceberemos que naquele tempo não teve acontecimento positivo. Sim, tivemos as charges, que divertiam e faziam o alerta à repressão.

Chacoteando o governo da época, a charge foi o lado positivo da ditadura. Que hoje se resume a grandes obras de arte, não mais vistas com tanto poder e crítica ao governo.

Atualmente, essa arte iconográfica obteve mais adeptos, porém está mais enfraquecida.

Aí, entramos naquele ditado: “Quantidade não significa qualidade.”

Se Henfil estivesse vivo, acredito que se envergonharia do que acontece.

Afinal, na época da ditadura militar as charges incomodavam o governo de forma geral, a ponto de deixarem muitos com raiva.

E hoje há políticos que colecionam charges, achando “bonitinho” o que “tal” artista fez dessa vez.

O pior é que não mudou apenas a qualidade, as pessoas e o tempo também mudaram. O que antes se cutucava através da charge, fazia as pessoas refletirem sobre o assunto e querer respostas.

Hoje, se tem a cutucada “de leve”, mas as pessoas não procuram mais respostas. Ou seja, o comodismo tomou conta das pessoas.

Essa nova geração é a “geração do comodismo”, aquela que sabe, mas aceita a situação.

O fato é que a charge não é mais a mesma, tem sua beleza de antes, mas não possui mais o poder de criticar e cutucar, independente se é do governo ou de outros assuntos.

Este é o assunto a ser abordado no Prex de 2009, será discutida a mudança e o porquê da mudança. Na interferência na forma de desenhar e como os chargistas encaram essa mudança.

Por Simone Ferreira

Versos de Cecília Meireles musicados por Ana Lee

Na Virada Cultural deste ano tivemos uma grande variedade de atrações, dos mais variados artistas, desde os amadores até os profissionais que fizeram questão de participar.

No CEU Jaçanã, em um palco enfeitado com bichinhos coloridos e guarda-chuvas infantis em formato de animais, Ana Lee paralisou crianças e adultos com a estreia do seu novo musical infantil.

Para quem não sabe, como um dos grandes nomes da língua portuguesa, a poetisa e cronista Cecília Meireles reservou momentos de sua prodigiosa criação para o público infantil. E ela foi a homenageada da tarde do domingo, 3 de maio.

Assim como Fagner que já havia usado os versos musicais de Cecília Meireles (em “Canteiros“), Ana Lee, pesquisadora desta vertente da obra da poetisa e também cantora e compositora paulistana, fez bom proveito desse dom, na criação de um novo projeto musical.

“É maravilhoso fazer um trabalho usando os versos da Cecília Meireles como uma forma de encantar e educar essas crianças carentes. Sinto-me lisonjeada com essa obra”, comentou.

Já às 14 horas, exatamente uma hora antes do início da apresentação, na fila, havia cerca de 100 pessoas aguardando ansiosas o musical.

Quando as cortinas levantaram, estavam presentes mais de 300 pessoas entre crianças e adultos que disputavam os assentos da frente para pegar cada detalhe do espetáculo. No repertório, os poemas A moda da menina trombuda, Ou isto ou aquilo (título do livro de Cecília Meireles), O Eco, O menino azul, entre outras, todos com viés educativo. Fizeram as crianças cantarem junto acompanhando a letra da música e imagens especiais que apareciam no telão.

Ana Lee, no intervalo de cada poema musicado, interagia com as crianças, fazendo perguntas e explicando cada poema. A garotada, animada, respondia e prestava atenção em tudo o que estava sendo falado.

Maria Aparecida Caldeiras, mãe de Julio Caldeiras, 7 anos, emocionou-se ao assistir o musical e encantou-se com o carisma e as técnicas que Ana Lee  usava para animar a criançada. “Amo crianças e isso torna fácil meu relacionamento com elas”, afirmou a artista.

Ana Lee finalizou a apresentação cantando o poema “O mosquito que sabia escrever seu próprio nome”.

Segundo a artista, depois desse espetáculo pretende investir mais nos projetos com crianças e marcar novos shows, utilizando os poemas da escritora Cecília Meireles.

Por Simone Ferreira

Ser comunitário ou não ser? Eis a questão

 

Jornalismo comunitário como o próprio nome diz é um trabalho em uma comunidade, mas, mais do que isso, um jornal comunitário dá a possibilidade de denunciar os problemas do bairro, o poder de gritar contra aquilo que não acreditam, colocando suas opiniões.

 

Visto que é um jornal dentro de uma comunidade, faz-se necessário entender o que é uma comunidade. Segundo o dicionário a palavra comunidade significa: qualidade do que é comum, sociedade, lugar onde residem indivíduos agremiados, comuna.

 

 No conhecimento da grande massa, comunidades são formadas em localidades empobrecidas, neste sentido, as pessoas que têm menos renda são os que mais vivem em comunidade.

 

Segundo  Rubem Alves, escritor e psicanalista, são essas localidades empobrecidas  que abrigam pessoas que conspiram e respiram juntas.

 

Essas pessoas muitas vezes são esquecidas pela sociedade e acabam conformando-se com isso, pois não veem jeito de clamarem para resolução de seus problemas. É a partir daí que pode surgir a ideia de se fazer um jornal comunitário, no qual as pessoas teriam livre arbítrio para denunciar seus problemas com a ajuda de jornalistas.

 

Para existir, um jornal comunitário precisa da  participação da comunidade local na escolha de temas a serem abordados, visto que o principal objetivo de um jornal comunitário é trazer àquela  comunidade um espírito crítico, capacitando as pessoas para discutir os problemas do bairro, acreditando que é possível haver uma mudança significativa. Também é de interesse desse jornal trazer temas desconhecidos  por essa camada mais pobre que normalmente a grande mídia não aborda de forma acessível, usando linguagens de fácil acesso, enfim, o jornal comunitário deve preencher as principais lacunas deixadas pela grande mídia.

 

Um exemplo disso é o jornal do Jardim Ângela Becos e Vielas, um veículo feito pela comunidade e que trazia assuntos em prol dela já abordados pela grande mídia que não eram compreendidos por aqueles moradores. Um exemplo disso: o conceito de política, levando em conta que a grande mídia traz a notícia relacionada à política, mas não explica os seus conceitos, e esse jornal tentava suprir esta falta de informação.

 

É difícil manter um jornal comunitário e foi por isso que o Becos e Vielas deixou de ser um veículo comunitário propriamente dito e passou a ser uma espécie de  oficina de jornalismo, também usando a  comunidade local para a confecção do jornal, mas agora com  temas variados.Um exemplo disso foi o tema utilizado na última edição, de maio de 2009, que falava  de Rock in Roll.

 

O assunto aparentemente não interessa à comunidade local, porém, de acordo com a vice-presidente do projeto, Joana Brasil, os jovens da comunidade escolheram este tema porque não querem falar dos problemas do bairro mais. “Não estão interessados em denunciar algo ruim que acontece ali, querem falar de outras coisas e não temos como obrigá-los, embora a verdadeira intenção do projeto fosse manter um jornal comunitário. Não dá para dizer que continuamos sendo um”, explica.

 

Fazer jornalismo comunitário é esquecer as diferenças e enxergar o outro lado, o lado do mais simples e poder trocar informações com aquela comunidade,  sabendo lidar com isso, também aprenderá muitas coisas novas.

 

Para entender melhor a dinâmica do jornalismo comunitário é que escolhi o tema como assunto do meu Prex. Nosso trabalho será feito no formato de vídeo-documentário e buscaremos através dele novas informações, que possam nos auxiliar ao longo da nossa jornada.

Maratona Zumbi na virada cultural

Este ano a Virada Cultural de São Paulo mostrou-se bem diversificada no que se refereà programação. Normalmente os freqüentadores escolhem uma série de lugares, planejam uma pequena ‘tour’ cultural. Até mesmo porque, o metro ficou disponível durante 24 horas. O grande empecilho para quem preferiu utilizar o metrô como meio de transporte foram as obras da linha amarela, na estação República. Sinal de um péssimo planejamento.

Preferi não diversificar muito meu roteiro, e o que mais me interessava era a seção de filmes de zumbi, na rua Dom José (ao lado da galeria do rock).  Dentre os filmes que me interessavam estavam Madrugada dos Mortos e  a Noite dos Mortos Vivos. Este último é um clássico, daqueles que  sempre esperamos reprisar na televisão.

Sentei-me para ver o primeiro filme, chamado Zumbi, que misturava toda aquela coisa zumbi clichê que já conhecemos com a prática vudu. No fim das contas a produção toda era trash desde a atuação até os ’defeitos especiais’. Fez o público dar muitas risadas, serviu pra alguma coisa.

O grande problema em se restringir a apenas alguma coisa em festivais como esse, é o fato de se cansar rápido, somada a pouca colaboração do público presente, que insistia em tentar estragar a coisa toda. Depois disso resolvi dar uma volta pelo centro da cidade que estava bem servido. Mas a cena mais impagável foi ver moradores de rua dançando com gingado exemplar ao som do Dj. Prova de que  ninguém ficou de fora.

O 'esquenta' da Virada Cultural
Companhia Melhores do Mundo arranca risos com as aventuras de Hermanoteu

Na fria madrugada de sexta para sábado, quem fez o ‘esquenta’ da Virada Cultural foi a companhia de teatro Os Melhores do Mundo, com a peça Hermanoteu na Terra de Godah.

O grupo formado por Welder Rodrigues, Victor Leal, Adriana Nunes, Ricardo Pipo, Jovane Nunes e Adriano Siri, os mesmos que fizeram Notícias Populares, arrancou risos e aplausos da plateia do Citibank Hall, em Moema.

Longe de ser um espetáculo gratuito como aconteceu na Virada Cultural, já que a plateia pagou ao menos R$ 70 reais para estar lá, a peça faz jus a cada centavo gasta.

O grupo conta a história de Hermanoteu, um pentescopeu irmão de Micalateia... hummmm! Micalateia...  que vaga pelo mundo antigo seguindo as orientações do todo poderoso e tomando cuidado para não se desviar no caminho das tentações mundanas.

A peça é marcada por muita espontaneidade, entre uma aventura e outra de Hermanoteu o grupo ainda encontra tempo para tratar de assuntos sérios do dia-a-dia como a gripe suína, o abuso no uso de passagens aéreas por parlamentares e... piadas com Ronaldo fenômeno, é claro.

Além dos seis integrantes, o espetáculo conta com a participação especial de Chico Anysio, responsável pela voz de Deus.

Para quem ainda não teve a oportunidade de assistir, uma boa notícia. O espetáculo foi utilizado para a gravação do DVD da peça, que logo deve estar disponível para venda.

por Por Fernando Albuquerque

Desafios em novos tempos

 Tema bastante explorado atualmente, preocupação constante para ambientalistas e especialistas econômicos, o desenvolvimento sustentável é discutido em todo o mundo. O crescimento acelerado e desenfreado da economia chega cada vez mais perto do limite, assim como os bens naturais não renováveis.  Alguns acham o discurso do desenvolvimento sustentável impossível, uma vez que nada pode deter os avanços da economia, sobretudo em países em desenvolvimento. É exatamente neste ponto que o Brasil pode destacar-se dos demais.. Nosso hino nacional diz “deitado eternamente em berço esplêndido” com  propriedade, a natureza foi benevolente em nos conceder uma das maiores reservas de água doce do mundo, as maiores florestas tropicais,  espécies de animais silvestres raros e únicos, o litoral  extenso,  riquezas minerais  e agora também petrolíferas.

Não é clichê tampouco bobagem dizer que tais propriedades da nossa natureza não são tão bem apreciadas quanto deveriam ser. Até mesmo  outros países menos abençoados  ignoram esta realidade.. Toda nossa existência gira em torno daquilo que ela nos fornece, porém, convivência diária nos grandes centros desestimula o interesse em querer saber de onde vem aquele trigo que faz parte do pão integral do seu café da manhã.

Boa parte da população vive de renda, trabalha para manter esta renda, que é o cálculo da quantia necessária para manter-se de maneira adequada para continuar na rotina de trabalho. Trabalhando para viver e viver para trabalhar, de onde tirariam tempo para preocupar-se  de onde vem o leite ou a manteiga? Essas pequenas coisas simples da vida já foram superadas, mas não esquecidas por todos..

O crescimento da economia também proporcionou que uma boa parcela da população pudesse ter renda sobrando, está primeiramente era investida em carro particular ou em casa própria. A segurança financeira estimulou gastos com acessórios e roupas, restaurantes e artigos domésticos, além de um ponto chave para este texto, o turismo. Desencadeado principalmente após os anos 80 no Brasil, o turismo era exclusivo para pessoas de classe alta, geralmente os pontos de visita era a Europa ou a Disney, sinônimo de status e bonança.

No início dos anos 90, a preocupação com o meio ambiente, o aquecimento global e a extinção das espécies, uma nova modalidade de turismo ganhou notoriedade, o ecoturismo. Acompanhando o crescimento da renda das famílias, o turismo foi impulsionando o redescobrimento do nosso país esquecido em outros tempos. Assim como a grama do vizinho é sempre mais verde, o turismo interno era deixado na maioria das vezes terceiro plano. Começou a ser interessante esta modalidade de turismo, pessoas da classe C na impossibilidade de viajar para o exterior viram com satisfação uma viagem de 12 dias para as dunas de Natal.

Rico em belezas naturais, País potencialmente forte em riquezas  naturais, o ecoturismo atende a essa necessidade de conscientizar as pessoas da importância do nosso país no mundo, da importância em preservar para se ter para sempre, e de como nos agredimos o meio ambiente sem percebermos. Cercados de prédios e automóveis, a necessidade do descanso visual e mental  para aliviar o stress diário já é discutida por especialistas no assunto.  O homem de volta as origens, em contato com a natureza, quando retorna a metrópole adquire concepção diferenciada em comparação ao seu primeiro contato com aquele habitat.

Da importância do ecoturismo entende-se uma oportunidade de educação  para as pessoas perceberem a seriedade da preservação dos meios naturais, que é imprescindível  não apenas para futuras gerações, mas também para  nós. A tecnologia que nos atende hoje é dependente dos meios naturais, e o crescimento deliberado já não é mais uma regra. Grandes empresas começam a entender que o panorama da natureza em níveis globais tem se alterado, a seriedade do assunto já é pauta em todas as agendas políticas ao redor do mundo.

Com a seriedade que o tema exige, é dispensável dizer o porquê da escolha deste assunto para um trabalho de conclusão de curso. Bom seria se pudéssemos mudar a consciência das pessoas, fazê-las enxergar a realidade que as cerca, tornando simples homens em cidadãos atuantes. Nossa proposta não prevê um mundo melhor, nem a solução imediata para tanto. A parte que nos cabe será atendida, levaremos ao conhecimento das pessoas idéias que talvez não tenham de lugares fantásticos cuja importância desconhecem, por vezes estando não a menos de algumas horas de distância. Mostrar de uma forma cinematográfica uma realidade possivelmente comum a olhos nus, revelar de forma simples um panorama grandioso e potencialmente belo.

Por Fernando Albuquerque

Virada Cultural do vinho

 

No período do império romano, a escravidão nos campos fez com que vários camponeses migrassem para a capital do império, Roma, em busca de melhores oportunidades de emprego e vida. Nessas condições, acreditava-se que na capital do império tudo era possível, o imperador paternal e justo jamais deixaria seu povo passar fome. Ao menos era essa a lenda que se estendia pelo império. Acreditando no paternalismo do grande César, milhares de pessoas viram seu sonho desmoronar assim como os gladiadores caiam no grande coliseu.

 

A política do pão e circo brilhantemente pensada para a ocasião foi se repetindo através da história, os nomes mudaram, as propostas de alienação do povo mudaram, mas a essência permanece a mesma. Problemas sociais sempre existiram e para contorná-los, a maneira é fazer o povo esquecer. A Virada Cultural já foi um exemplo de programa para se fazer em família, as propostas sempre foram inovadoras e o público excelente, porém tudo parece mudar.

 

Eventos gratuitos geralmente dão trabalho para a polícia militar e para as organizações desses tipos de espetáculo. Um grande tumulto como o que houve em 2007 no centro da cidade, após o show do grupo de rap Racionais mc´s, até tentou-se contornar. No ano seguinte os shows foram melhor distribuídos, o efetivo militar foi maior, e grandes incidentes como o que ocorreram no ano anterior não se repetiram.

 

Segundo a organização do evento, em 2009 mais de 4 milhões de pessoas prestigiaram  a Virada Cultural. Embora a verba tenha sido a menor de todas as edições, como que para compensar o metrô funcionou durante as 24 horas do evento, o que agradou muitas pessoas e refletiu na boa presença de público. Em eventos gratuitos deste porte esperam-se baderna, confusão, furtos, brigas e etc. Não foi diferente na Virada deste ano.

 

Foi a primeira vez que Victor Sérgio de Paula, 18 anos, pode ir para a Virada. Como a maioria dos jovens, Victor foi até a rua XV de Novembro, onde tocaram os Djs. Muitos viram no evento uma oportunidade de poder se divertir longe de casa, de graça, e com a devida liberdade de estar na rua, aproveitando a ocasião. A bebedeira foi geral. “Achei estranho, não vi policiais por perto, só uns 2 ou 3. Achei normal, onde eu moro também não vejo poícia. Também achei que o pessoal estava bebendo demais, pra todo lugar tinha gente bêbada e passando mal”.

 

O evento começou às 18 de sábado. Andando pelo centro da cidade, às 20 horas, já podia se constatar o alto grau de embriagados circulando entre os palcos do evento. Onde quer que a vista alcance, lá estavam os ambulantes garantindo o vinho, menos o pão. “Já vendi todo meu isopor de 30, vou ter que voltar ali e pegar mais, o pessoal bebe né”?”, diz Josimar dos santos, 43 anos, dando seu depoimento depois de 1 hora e meia de evento.

 

Arrastões e furtos se seguiram daí para a frente. A Virada Cultural virou pretexto para a loucura contida, para o entorpecimento dos sentidos e do bom senso. Para a grande maioria, a palavra cultural é apenas isso mesmo, uma palavra, um nome bonito para o evento. Bons shows fizeram parte da programação, artistas do nível de Maria Rita e Zeca Baleiro estiveram presentes, o palco em homenagem a Raul Seixas fez sucesso entre o público.

 

Shows a parte, o que se viu foram os furtos e tumultos no metrô. “Eu gostaria de voltar ano que vem, gostei dos palcos de música eletrônica e das performances de rua. Mas tinha muita bebida e bagunça, acho que isso pode ser melhorado. Só diminuir as vendas de bebidas próximo ao evento”, diz Thiago Almeida Junior, estudante de engenharia eletrônica, que participou do evento pela segunda vez.

Por Dominick Kneip

Um lugar tão tão distante

Alguém    ouviu  falar sobre São Roque de Minas? Provavelmente não, com apenas 5 mil habitantes este pequeno município está situado na bera de uma crescente atração ecoturística, a Serra da Canastra.

Mesmo com o crescimento do turismo neste ano segundo a  Embratur, a Serra da Canastra ainda não é o destino preferido dos turistas, até porque há poucos roteiros para este lugar, só dá para chegar até lá de carro ou de ônibus, e a falta de estrutura  espanta os possíveis visitantes.

Quem iria trocar uma viagem para as praias do nordeste ou para O Parque do Beto Carreiro, em Santa Catarina, por um passeio no meio do mato, em uma cidadezinha do sul de Minas Gerais? Segundo a Embratur, mesmo com a crise econômica, os pacotes e descontos oferecidos pelas empresas turísticas estão proporcionando passeios antigamente impossíveis à pessoas que nunca saíram da cidade onde moram.Um bom exemplo desse efeito é a propagando “Se você é brasileiro, ta na hora de conhecer o Brasil” , feita pelo Ministério do turismo que incentiva os brasileiros a viajarem pelo Brasil e conhecerem as culturas locais.

Apesar das adversidades a paisagem das cachoeiras, do verde e do campo de visão de 60km compensam as dificuldades enfrentadas na viagem. O ecoturismo ou turismo sustentável vem crescendo desde os anos 80 e é tema de discussão no setor turístico. Como levar as pessoas para conhecer lugares de preservação e não fazer com que estes visitantes degradem o ambiente visitado?

As opiniões são adversas entre os moradores da cidade de São Roque de Mina. De um lado estão os donos de pousadas, comerciantes e a prefeitura, que  querem o crescimento dessa fonte de renda, melhorando a estrutura da cidade com relação a restaurantes, hospitais, hospedagem e transporte, que ainda é precário.

Do outro lado está o IBAMA, responsável pelo Parque Nacional da Serra da Canastra, uma  área com, atualmente,  71.525 hectares regularizados.O parque abrange o território de 3 municípios: São Roque de Minas, Sacramento e Delfinópolis, no sudoeste de Minas.  Sendo uma área de preservação ambiental, a ampla discussão sobre o turismo sustentável se aplica aqui.O IBAMA, responsável pela conservação do parque, se preocupa com o crescimento dos visitantes, que aos poucos, foram modificando as características do parque. 

São Roque de Minas vive este conflito entre desenvolvimento do município e preservação ambiental da região, presente em diversas regiões de preservação, como parques, reservas ambientais etc.

Os órgãos responsáveis pela cidade procuram uma solução que agrade ambos os lados, um jeito de preservar  a nascente do rio São Francisco, mas proporcionando a vivência  de uma cidade pacata e ambiente rural aos “caipiras” da cidade grande.

Contudo, a Serra da Canastra continua sendo um grande potencial turístico, não claro, para uma lua de mel, mas como uma “aventura em família”. Não procure esse destino na CVC, talvez eles nem saibam onde fica. Para obter mais informação sobre a Serra você dependerá da única empresa de turismo da região, a Tamanduá Turismo.

Esse tema e outros desdobramento do turismo serão abordados no vídeo documentário intitulado “Destino: Canastra – ecoturismo na nascente do velho Chico” no Projeto Experimental do curso de jornalismo.Confira o destino São Roque de Minas, e claro, não esqueça de trazer o famoso queijo da Canastra, ou o doce de leite, de mamão ou de goiaba, ou até mesmo uma pinguinha em garrafa pet.

Por Dominick Kneip

Virada "descultural"

 

A Virada Cultural, que acontece desde 2005, ofereceu em sua edição de 2009 uma dose de realidade à população. Não só turistas como paulistas e paulistanos puderam vivenciar  uma noite de cultura ou falta dela pela ruas da grande metrópole, com seus prédios gigantescos, monumentos históricos e moradores  de ruas.

 

Muito mais do que shows, apresentações circenses, teatro, e cinema, a 5ª edição, além de superar as expectativas de um público de  4 milhões de pessoas, também superou em outros aspectos nada positivos.

 

Um ambiente de drogas, álcool e vandalismo foi percebido pelos que passaram pela centro de São Paulo, cenário diferente do que foi descrito pelo  prefeito Gilberto Kassab “O balanço é muito positivo, estamos muito felizes com o resultado de mais essa edição. Indiscutivelmente, a Virada se consolida a cada ano. É o grande evento da cultura brasileira, em termos de público e qualidade. É a popularização da cultura”.

 

O objetivo da Secretaria de São Paulo de realizar um evento cultural de tal porte na cidade de São Paulo é proporcionar a todas as classes a oportunidade única de passear pelo centro  da cidade a noite e  conhecer todos os ritmos,  e formas que a cultura brasileira pode ter,  mas algumas  pessoas não vão apenas para assistir as apresentações, as utilizam como fundo musical para se embebedar e usar drogas.

 

A festa reuniu mais de cinco mil artistas representando os mais diferentes gêneros de música, dança, teatro e circo, em palcos montados em mais de 150 locais em toda a Cidade.

 

Mesmo com um número de polícias e de ambulâncias menor do que o ano passado, os profissionais da saúde tiveram que trabalhar em dobro. No ambiente de música eletrônica, em frente a Secretaria de Segurança, foi possível ver cenas de  pais bêbados com crianças pequenas nos ombros, adolescentes caídos nas ruas, no Anhagabaú o cheiro de cigarro de maconha se alastrava pelas ruas, no Viaduto do Chá empurra-empurra, na República vandalismo,e em todo o centro ambulantes  vendiam  bebidas alcoólicas e  o “melzinho de pinga” caseiro, além de muita desorganização e pouca segurança.

 

A programação do evento foi definida faltando apenas 15 dias para sua realização, e neste ano, o investimento na Virada foi de R$ 4,5 milhões, comparados com os R$ 6 milhões em 2008. A redução, segundo o prefeito, não implicou diminuição de eventos ou da qualidade. “Ao contrário, foi um aproveitamento melhor em função da experiência acumulada”, declarou. 

 

A virada é considerada um dos maiores eventos de rua do mundo, o que movimenta crescimento de turistas, gerando uma receita em torno de R$ 100 milhões. A SPTuris estimou em 330 mil o número de turistas na Cidade em função da Virada Cultural, contra 300 mil da última edição. A empresa aproveitou o evento para fazer mais uma edição do São Paulo Meu Destino, encontro que procura estimular a prática do turismo na Cidade e a venda do destino São Paulo.

Por Carolina Flauzino

Virada Cultural subterrânea

 Nem balada, nem shows a céu aberto 24 horas sem parar.

Entre prédios, travessas repletas de bares e até um cemitério, a Consolação, em São Paulo, é conhecida por sua rotina comercial, ar boêmio e vida noturna agitada. O que pouca gente imagina, é que a região também oferece opções de roteiros artísticos e culturais, às vezes inusitados, como os que pude conferir durante a última edição da Virada Cultural na Cidade.

Se algo acontece no coração de Caetano quando cruza a Ipiranga com a Avenida São João, ele deverá sentir a mesma sensação ao passar entre a Consolação e a Avenida Paulista hoje. Neste ponto, fica a passagem subterrânea da Consolação, que dá acesso aos dois lados da rua, que há alguns anos, pelas más condições em que se encontrava era praticamente intransitável.

Ocorre que em 2005, o corredor foi totalmente reformado e hoje, repaginado, recebe o nome de Passagem Literária da Consolação, e é palco de atividades artísticas e culturais gratuitas, além de contar com atrações musicais esporadicamente para o público. Os eventos e exposições são promovidos entre a parceria da Prefeitura e a Associação Via Libris de Livreiros, um grupo de vendedores de livros que mantém uma banca de livros usados e cuidam da manutenção do espaço. O local é amplamente visitado e se tornou caminho quase obrigatório por quem passa pela rua.

E não para por aí. Na Consolação, até mesmo o cemitério atrai visitantes que vem, não para homenagear os familiares, mas para conhecer os túmulos e saber mais sobre a história e a carreira de várias personalidades, como o do escritor Monteiro Lobato e da pintora Tarsila do Amaral. Nas visitas monitoradas, também são apresentadas dezenas de obras de arte de importantes escultores do século passado, como Victor Brecheret. Pode-se dizer que o cemitério é um verdadeiro museu. 

Iniciativas culturais como essas fazem de São Paulo uma metrópole que funciona 24 horas por dia, eventualmente ou não, e que bate no coração de cada pessoa que nela vive, trabalha e se manifesta. Uma cidade que oferece mais do que entretenimento: cultura, arte e história.

Por Ana Carolina Santos

Encerramento em grande estilo

 

Em um lindo vestido prata ela sobe ao palco da Avenida São João para encerrar o evento. É Maria Rita quem fecha a quinta edição da Virada Cultural. Além das pessoas que estavam nas ruas de São Paulo, a apresentação também foi transmitida ao vivo pela TV Cultura.

 

No repertório de Maria Rita grandes sucessos da carreira, como "Cara Valente" de seu primeiro albúm, e músicas do múltimo disco lançado pela cantora, intitulado "Samba Meu", que possui a regravação de "Não deixe o samba morrer" de Alcione.

 

Ao todo foram apresentadas cerca de vinte canções desta artista que move multidões, assim como sua mãe Elis Regina. Multidão foram os espectadores da Virada Cultural. Os organizadores do evento estimam que cerca de 4 milhões de pessoas prestigiaram as 800 atrações espalhadas pelo centro da cidade.

 

O balanço geral foi positivo. A prefeitura da capital paulista divulgou que foram realizados 520 atendimentos médicos, divididos entre as 40 ambulâncias e UTIs móveis deslocadas para o evento. Segundo a Secretaria de Segurança Pública nenhuma ocorrência grave foi registrada durante as 24 horas  em que aconteceram as performances pelos palcos e pelas ruas da cidade.

 

Os espectadores afirmaram que essa Virada Cultural foi melhor que as edições anteriores. A estudante universitária Camila Resende, que esteve presente no show de Maria Rita, aprovou a atração de encerramento e mostrou estar contente com a organização. "É o segundo ano que participo e desta vez foi bem mais organizado. Adoro a Maria Rita e por isso não podia perder o show com ela na Virada. O mais legal é que são várias atrações de graça para a população que as vezes não pode sair para receber cultura em outros ambientes", afirma Camila.

 

A estudante disse ainda que algo que não estava funcionando com perfeição foi  a limpeza das ruas. "Uma coisa que eu reparei foi a sujeira que ficou no centro, tinha muito lixo pelas ruas. Acho que os garis não estavam dando conta entre um show e outro", relata Camila.

 

Outro problema enfrentado pela população que participou da Virada foram os banheiros químicos. Eram cerca de 800 espalhados pela região central, mas não deram conta do fluxo de pessoas que passou pelo evento.

 

Além de Maria Rita, o centro de São Paulo viu bandas de rock e pop, como Velhas Virgens e CPM 22; atrações internacionais, muitas delas ligadas ao ano da França no Brasil e também o ex-tecladista do Deep Purple que se apresentou com a Orquestra Sinfônica Municipal; atrações populares como Wando e Odair José; além de um momento histórico, a reunião dos Novos Baianos que também aconteceu no palco da Avenida São João.

Por Alessandra da Conceição

Virada agitada

 Em meio a tantas pessoas e uma diversidade de eventos culturais, a Virada Cultural de 2009 foi marcada por shows que divertiram e emocionaram os presentes no evento.

 

Mas foi no show do Reginaldo Rossi que as risadas, brincadeiras e brigas rolaram soltas. O show que foi realizado na Praça Largo do Arouche começou por volta da 00h30 min., e terminou 02h da manhã, tempo o suficiente para que tudo acontecesse.

 

Quando o cantor Reginaldo pisou no palco a galera delirou, tinha gente de toda idade, uns estavam lá porque gostavam do cantor e muitos outros por pura diversão, havia gays, alguns artistas de novela e adolescentes.

 

Reginaldo começou seu show conversando um pouco sobre as mulheres e o quanto gostou de ser convidado para a Virada Cultural. Depois de algumas histórias intercaladas por trechos de músicas, o cantor deu início ao show oficial, que teve suas músicas mais conhecidas e de outros cantores dentre eles rolou Beatles, Glória Gaynor, Zezé di Camargo e Luciano e outros.

 

Mas foi cantando uma de suas músicas mais conhecidas, Raposa e as Uvas, que a confusão começou. Dois homens brigaram no meio do público e, em cerca de instantes, abriu-se um clarão no meio do público. E, enquanto Reginaldo cantava, os homens se chutavam e se socavam; o cantor, vendo ao que acontecia, ignorou a situação.

 

E mais ou menos dois minutos depois os policias da Guarda Metropolitana apareceram e colocaram um ponto final na briga. O show seguiu normalizado e, no final, Reginaldo Rossi aplaudiu e agradeceu ao público que ali estava. A Virada Cultural mais uma vez é cenário de confusão, só que este não teve conseqüências maiores do que no ano passado com o show dos Racionais MCS que, além de brigas, houve quebra-quebra no comércio do local.

Virada Cultural

Publicamos hoje alguns textos sobre a Virada Cultural, além de artigos sobre o Prex. No caso da pauta sobre o evento que movimentou São Paulo no início de maio, vale analisar a síntese de cada um, importante para mostrar as diferentes percepções a respeito de um mesmo "fato".

Tânia Trajano

Por Winglitton Rocha Barros

Erros e acertos - o que vale é o show

Com a presença de mais de 3 milhões de pessoas que gastaram mais de R$ 100 milhões em plena crise mundial, a quinta edição da Virada Cultural provou ser um dos eventos mais esperados e participativos do ano.

Com uma proposta de 24 horas ininterruptas de shows e mais de 800 atrações espalhadas em pontos estratégicos, a comissão organizadora conseguiu resolver algumas situações que sempre atrapalhavam os convidados, mas que este ano melhorou como a sinalização - havia postes com placas que indicavam o local desejado dos eventos -, bom policiamento e uma boa via de acesso para deficientes físicos. Na contra-mão dos acertos, o que ficou ainda a desejar foram as questões dos banheiros - pouca quantidade para a grande aglomeração de pessoas -, assim como poucas lixeiras.

Outra nota lamentável foi a ausência dos grupos de RAP, devido ao ocorrido na Virada Cultural do ano passado, quando, durante o show dos Racionais MCs, houve confronto entre policiais e baderneiros, que insistiam em assistir o show em cima de uma banca de revista.

Por volta de meio dia de domingo, Zeca Baleiro iniciou o seu show no palco da Avenida São João. Estilizado em tons de verde, que remetem todos a pensar no meio ambiente e na necessidade de sua preservação, o local abrigou sucessos como Lenha, Quase nada e até a interpretação de músicas de outros cantores que levantou a platéia que acompanhou o show, como Fogo e Paixão, de Wando, que também participou da Virada Cultural no palco do Largo do Arouche, local reservado aos românticos.

Zeca, torcedor do Santos, levantou o público e até respondeu às provocações de um corinthiano que hasteou a bandeira no meio do show. "Já entendi a provocação. Parabéns, tá? Os corinthianos mereceram, se bem que, como diz uma velha canção, tudo pode acontecer", finalizou o maranhense radicado em São Paulo e que ainda acreditava em uma possível virada do Santos na final do campeonato paulista, que acabou não acontecendo. O Corinthians tornou-se campeão paulista invicto em 2009 ao empatar em 1 a 1 com o Santos.

Durante os shows, artistas circenses, presos em guindastes, dividiam as atenções do público, realizando acrobacias mirabolantes, tornando mais bela a Virada.

No palco do Largo do Arouche, Wando, Wanderley Andrade, Wanderlei Cardoso, Reginaldo Rossi, Benito de Paula, Beto Barbosa e Odair José - o cantor mais censurado na época da ditadura militar -, fizeram a felicidade dos eternos românticos.

O palco da Avenida São João contou ainda com Geraldo Azevedo, Marcelo Camelo, Tribo de Jah, Novos baianos e Maria Rita, que encerrou a Virada.

Entre erros e acertos, o que fica para o público é que vale a pena festejar.

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